
Às vésperas de embarcarmos, coletivamente, à bordo de mais uma aventura conhecida como carnaval, o primeiro propriamente dito após o longo e difícil período da pandemia de Covid-19, é importante falarmos sobre um outro aspecto da folia, menos abordado e visibilizado nas narrativas dominantes sobre o tema. Num recorte temporal mais recente, é possível perceber que em algumas cidades, com o aumento da escala, proporção e engajamento dos festejos carnavalescos, aliado ao grande interesse turístico e econômico disparado pela festa, o carnaval passou a mobilizar engendramentos cada vez mais amplos de logísticas, equipamentos e estruturas. Esses elementos passaram a tensionar uma série de espacialidades e outras dinâmicas urbanas existentes, incorporando-se, cada vez mais invasivamente, na relação entre essa importante festa popular e determinados espaços das cidades.
Apesar de o Brasil ser celebrado, cultural e simbolicamente, como o país do carnaval, sobretudo a partir de festejos mundialmente conhecidos como os de Salvador, Olinda e Rio de Janeiro, a festa não é uma exclusividade brasileira. Cidades como Barranquilla, na Colômbia, Nice, na França, e Veneza, na Itália, são alguns exemplos de locais que possuem carnavais singulares e com tradições centenárias. A dimensão essencialmente urbana é um traço característico da festa que, historicamente, se configurou como um momento importante de encontro e sociabilidade da população nos espaços públicos. Festas populares, como o carnaval, costumam estar profundamente relacionadas ao uso das ruas e demais espacialidades da cidade de um modo distinto de seu habitual, permitindo sua apropriação, reelaboração e experimentação pelas pessoas, de maneira pública e coletiva, em situações diferenciadas de seu cotidiano.


















